Os primeiros raios de sol desenhavam quadros de fogo acima da linha do horizonte.Quase todos os passageiros do ônibus dormiam.A minha esquerda,do outro lado do corredor,um homem moreno e forte assobiava um louvor.
_ O senhor mora em São Paulo?perguntei-lhe.
_ Moro num pequeno sítio, no estado da Bahia.Mas,toda vez que a seca assola minha terra,passo uns dois meses em São Paulo,para ganhar um pouco de dinheiro.
_ E a família?
_ A mulher e os filhos ficam no sítio.Minha esposa é aleijada,mas me ajuda a enfrentar a vida,temos nove filhos.
Felipe Tavares,um nordestino acostumado a brigar com os caprichos da seca,pretendia trabalhar como pedreiro na capital paulista.
_ E se o senhor não conseguir emprego desta vez?
_ As vezes,demora três ou quatro dias,mas consigo.E enquanto não surge trabalho,durmo na rodoviária.Já fiz isto muitas vezes e Deus sempre cuidou de mim.O Senhor me tem abençoado muito.Não posso reclamar.Minha gratidão para com Ele é muito grande,pois fui salvo da perdição.Eu era um homem muito perverso,mas um dia o Evangelho mudou a minha vida.Deixei de fumar e beber;e abandonei o a vida desregrada para seguir a Cristo.Tenho certeza da Sua presença comigo.Por isso vivo tranquilo.
O diálogo prosseguiu até São Paulo.Após a despedida,Felipe subiu a escada da rodoviária.Por alguns instantes,acompanheio-o com os olhos,até que ele se perdeu no meio da multidão.Ficou,porém em minha mente o exemplo de um homem de fé e a convicção de que a presença divina em nossa experiência diária,proporciona-nos paz,conforto e serenidade.Não se trata,tão somente de uma mudança psicológica,mas de uma vida estribada na Rocha dos Séculos.
(escrito em Set/89)


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